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      • Filme PVC Esticável
      • Fita de Empacotamento
      • Protetor de Bancada
    • Dispenser
      • Bombas Dispensadoras
      • Dispenser Higiênico
      • Dispenser Múltiplo
      • Dispenser para Líquidos
      • Dispenser Toalheiro
    • EPCs
      • Autoclave
      • Desintegrador e Incinerador
      • Destilador
      • Estufa
      • Incubadora
      • Lavadora
      • Seladora
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      • Máscaras Reutilizáveis
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      • Saco para Autoclave
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      • Coletor de Perfurocortante
      • Lixeiras Automáticas
      • Sacos para Infectantes
      • Suporte para Lixeira
    • Papel para Higiene
      • Papel Assento
      • Papel Higiênico
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      • Curativo Ocular
      • Curativos Avançados
      • Curativos de Alginato
      • Curativos Hidrocolóides
      • Curativos para Queloides
      • Curativos para Escleroterapia
      • Esparadrapos
      • Fitas Microporosa
    • Consumo Descartável
      • Abaixador Lingual Descartável
      • Agulhas Hipodérmicas
      • Agulhas para Sutura
      • Algodão
      • Cateteres
      • Eletrodos
      • Fitas Crepe
      • Gaze em Rolo
      • Gel Íntimo
      • Gel para EEG
      • Gel para USG
      • Gel pra ECG
      • Lençóis
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      • Seringas
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      • Umidificador de Ar
    • Instrumental
      • Abaixador Lingual
      • Bisturi Circular
      • Laringoscópio e Acessórios
      • Martelos
      • Pinças
    • Nutrição Clínica & Infusão
      • Conector, Extensor e Multivias
      • Equipo Hospitalar
      • Frasco para Nutrição Enteral
      • Sonda de Nutrição Enteral
      • Torneiras
    • Respiratórios
      • Dilatadores Nazais
      • Esterilizadores de Ar
      • Faixa anti ronco
      • Inalador, Aspirador e Acessórios
      • Reanimadores Respiratórios
      • Sonda de Aspiração
      • Tubos Endotraquiais
      • Umidificador de Gás
      • Válvula Hospitalar
    • Urologia & Bolsas Coletoras
      • Bolsa Coletora de Urina
      • Sondas de Foley
      • Sondas Uretrais
  • Odontologia
    • Acessórios
      • Adaptador de Sugador
      • Ponteira para Matriz
    • Broca, Broqueiro & Mandril
      • Brocas Carbide
      • Brocas Cirúrgicas
      • Brocas de Aço
      • Brocas de Implante
      • Brocas de Tungstênio PM
      • Brocas Diamantadas CA
      • Brocas Diamantadas FG
      • Brocas Diamantadas PM
      • Brocas Gates
      • Broca Lentulo
      • Broca Multilaminada
      • Broqueiro CA
      • Broqueiro FG
      • Broqueiro FG e CA
      • Broqueiro PM
      • Escovas para Brocas
      • Mandril Adaptador
      • Mandril CA
      • Mandril PM
    • Consumo Descartável Odontologia
      • Agulha Gengival
      • Algodão Rolete
      • Aplicador Descartável
      • Babador
      • Gaze em Compressa
      • Kit para Paramentação
      • Papel Carbono
      • Sugador
    • Dentística & Estética
      • Ácido e Adesivo
      • Amálgama e Acessórios
      • Matriz
      • Barreira Gengival
      • Bloco para Espatulação
      • Cimento e Ionômero
      • Clareador e Afins
      • Cunha
      • Discos (Acabamento / Polimento)
      • Escovas (Polimento)
      • Kit Dentística
      • Moldeira para Clareamento
      • Pasta Polidora
      • Placa de Vidro
      • Ponta para Acabamento e Polimento
      • Resina Composta
      • Selantes
      • Taças (Acabamento / Polimento)
      • Tira de Lixa / Poliéster
      • Vernizes
    • Endodontia
      • Cimento Endodôntico
      • Cones e Gutas
      • Desinfecção e Curativo de Canal
      • Espassadores Digitais
      • Extirpa Nervos
      • Isolamento Absoluto
      • Limas Endodônticas
      • Solvente de Guta-Percha
      • Stop de Silicone
      • Tamboréis e Refis
      • Testes de Vitalidade
    • Equipamentos & Periféricos
      • Acessório para Consultório
      • Aquecedor de Instrumento
      • Bombas a Vácuo
      • Câmara para Revelação
      • Consultório Odontológico
      • Compressor
      • Fotopolimerizadores
      • Jato de Bicarbonato
      • Kit Acadêmico
      • Peça de Mão e Lubrificante
      • Micromotor de Bancada
      • Micromotor de Suspensão
      • Motor Endodôntico
      • Negatoscópio Odontológico
      • Panela Plimerizadora
      • Plastificadoras
      • Solda Ponto
      • Raio-X
      • Ultrassom e Acessórios
      • Vibradores de Gesso
    • Implantodontia & Periodontia
      • Adaptador, Catraca e Chave
      • Bisturi Circular
      • Brocas de Implante
      • Campos Cirúrgicos
      • Componente Protético
      • Contra Ângulo
      • Curativos Alveolares
      • Dappen Inox
      • Escareadores Ósseos
      • Expansores Ósseos
      • Extratores de Implante
      • Guias para Implante
      • Hemostáticos
      • Implante
      • Kit Implante
      • Retificadores de Implantes
      • Serras Circulares
      • Fio Cirúrgico e Sutura
      • Taxinhas Cirúrgicas
      • Triturador Ósseo
    • Instrumental
      • Abaixador Lingual
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      • Brunidores
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      • Colgaduras
      • Compassos
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      • Contrastes
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      • Mandíbula
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      • Anéis para Fundição
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      • Dentes Protéticos
      • Discos (Lab)
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      • Escovas (Lab)
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      • Jateamentos
      • Kits (Lab)
      • Lamparinas
      • Moldeira
      • Pasta de Impressão
      • Pedras (Lab)
      • Pinceis
      • Pinos / Núcleos
      • Placa Base
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      • Pontas (Lab)
      • Potes / Tigelas
      • Régua de Fox
      • Resinas
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      • Silicones
      • Solvente de Resíduos
      • Tubo de Lixa
      • Vaselinas
      • Veias
      • Pasta para Polimento
    • Ortodontia
      • Cimento e Adesivo Ortodôntico
      • Aplicador de Amarrilho
      • Bandas Universais
      • Botão Lingual
      • Brackets
      • Calibrador
      • Ceras Ortodônticas
      • Elásticos e Ligaduras
      • Estojos e Caixas
      • Fios e Arcos
      • Levante de Mordida
      • Máscaras
      • Mola Ortodôntica
      • Mordedores
      • Pastas para Solda
      • Posicionador de Elástico
      • Soldas
      • Stop Ortodôntico
      • Tubo Ortodôntico
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Introdução

A queda de pacientes é um dos eventos adversos mais frequentes nos serviços de saúde e representa um importante desafio para a segurança assistencial. Além do risco de lesões, fraturas e traumatismos, uma única queda pode prolongar a internação, aumentar os custos hospitalares, comprometer a recuperação clínica e reduzir a confiança do paciente na instituição.

Embora muitas quedas sejam classificadas como eventos evitáveis, sua prevenção exige muito mais do que simplesmente instalar grades nas camas ou orientar o paciente. É necessário compreender que a maioria dos acidentes resulta da combinação de diversos fatores, como condições clínicas, medicamentos, limitações funcionais, ambiente hospitalar, equipamentos utilizados e até mesmo a atuação dos acompanhantes.

Diversos protocolos nacionais e institucionais convergem para um mesmo princípio: prevenir quedas é responsabilidade de toda a equipe multiprofissional, com participação ativa do paciente e de seus familiares.

Este guia reúne as principais recomendações dos protocolos oficiais brasileiros e as transforma em orientações práticas, tabelas operacionais, checklists e exemplos do cotidiano hospitalar.


Capítulo 1 – Panorama das Quedas Hospitalares

Impacto das quedas

Consequência Impacto
Lesões leves Escoriações, hematomas e contusões
Lesões moderadas Lacerações, entorses e necessidade de sutura
Lesões graves Fraturas, traumatismo craniano e hemorragias
Impacto assistencial Aumento do tempo de internação
Impacto econômico Maior utilização de recursos hospitalares
Impacto emocional Medo de caminhar, perda da autonomia e ansiedade
Impacto institucional Indicador de qualidade assistencial e segurança do paciente

Onde as quedas acontecem com maior frequência?

Local Nível de risco
Quarto / Enfermaria 🔴 Muito Alto
Banheiro 🔴 Muito Alto
Corredores 🟠 Alto
Transporte entre setores 🟠 Alto
Cadeira de rodas 🟠 Alto
Transferência cama–cadeira 🔴 Muito Alto
Berçário / Pediatria 🔴 Muito Alto
Alojamento conjunto 🟠 Alto

As 10 situações de maior risco de queda

Situação Risco
Levantar para ir ao banheiro sem auxílio 🔴
Utilizar suporte de soro como apoio 🔴
Caminhar apenas de meias 🟠
Usar chinelos frouxos 🟠
Levantar logo após cirurgia ou sedação 🔴
Cadeira de rodas sem freios acionados 🔴
Grades laterais abaixadas em paciente de risco 🔴
Piso molhado 🔴
Objetos pessoais fora do alcance 🟡
Criança dormindo com acompanhante no mesmo leito 🔴

O que é considerado uma queda?

Segundo os protocolos brasileiros de segurança do paciente, queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior, podendo ocorrer com ou sem lesão e mesmo quando o paciente é amparado antes de atingir completamente o chão.

Classificação das quedas

Tipo Características
Sem dano Não provoca lesões aparentes
Com dano leve Escoriações ou hematomas
Com dano moderado Lacerações, necessidade de sutura ou imobilização
Com dano grave Fraturas, traumatismo craniano ou hemorragias
Óbito Evolução fatal relacionada à queda

Engenharia Reversa das Quedas

A queda raramente possui uma única causa. Na maioria das vezes, diversos fatores acontecem simultaneamente.

Exemplo

Paciente internado
        │
        ▼
Tomou medicação sedativa
        │
        ▼
Precisou ir ao banheiro
        │
        ▼
Não chamou a enfermagem
        │
        ▼
Estava usando chinelos
        │
        ▼
Piso parcialmente molhado
        │
        ▼
QUEDA

Essa abordagem demonstra que a prevenção depende da identificação precoce de todos os fatores envolvidos, e não apenas da condição clínica do paciente.

Alerta Dental Access: A maioria das quedas não acontece porque o paciente "perdeu o equilíbrio". Elas resultam da combinação de fatores clínicos, ambientais e comportamentais. Identificar essa combinação é a forma mais eficaz de prevenir acidentes.

Quem está mais exposto ao risco?

Perfil Nível de risco
Idosos 🔴 Muito Alto
Pacientes sedados 🔴 Muito Alto
Pós-operatório imediato 🔴 Muito Alto
Déficit neurológico 🔴 Muito Alto
Alterações cognitivas 🔴 Muito Alto
Crianças pequenas 🟠 Alto
Gestantes e puérperas 🟠 Alto
Pacientes com dificuldade de marcha 🔴 Muito Alto
Uso de múltiplos medicamentos 🟠 Alto

O papel da equipe multiprofissional

Profissional Principais responsabilidades
Enfermeiro Avaliação do risco, plano de cuidados e orientação
Técnico de Enfermagem Aplicação das medidas preventivas e monitoramento
Médico Avaliação clínica e revisão terapêutica
Fisioterapeuta Avaliação da marcha e equilíbrio
Farmacêutico Revisão de medicamentos associados ao risco
Terapeuta Ocupacional Estratégias para mobilidade segura
Nutricionista Avaliação de condições nutricionais que influenciem força e recuperação
Acompanhante Seguir orientações e solicitar auxílio sempre que necessário

Capítulo 2 – Como as Quedas Acontecem na Prática

A prevenção de quedas começa pela compreensão de como os acidentes realmente acontecem. Na prática, dificilmente uma queda é causada por um único fator — ela resulta da combinação de condições clínicas, ambiente, equipamentos, medicamentos e comportamento do paciente ou do acompanhante.

Por isso, adotamos aqui uma abordagem de engenharia reversa: em vez de perguntar apenas "quais são os fatores de risco?", respondemos "como esse acidente aconteceu?".

Os cinco elementos que antecedem uma queda

Na maioria dos casos, uma queda envolve a combinação de um ou mais destes elementos.

Elemento Exemplos
Condição clínica Fraqueza, tontura, hipotensão, dor, alteração neurológica
Medicamentos Sedativos, anti-hipertensivos, opioides, diuréticos
Ambiente Piso molhado, iluminação inadequada, obstáculos
Equipamentos Cadeira sem freio, grades abaixadas, suporte de soro, cabos
Comportamento Levantar sozinho, pressa, excesso de confiança, falta de orientação

Quanto maior o número de fatores presentes ao mesmo tempo, maior será a probabilidade de ocorrer uma queda.


Situação 1 – O paciente levantou para ir ao banheiro sozinho

Esta é uma das situações mais frequentes em hospitais.

Como o acidente normalmente acontece:

Paciente acorda durante a noite
          │
          ▼
Necessidade urgente de urinar
          │
          ▼
Não deseja incomodar a equipe
          │
          ▼
Levanta rapidamente
          │
          ▼
Tontura ao ficar em pé
          │
          ▼
Perde o equilíbrio
          │
          ▼
QUEDA
Fator Contribuição
Diuréticos Aumentam a frequência urinária
Hipotensão postural Provoca tontura ao levantar
Sedativos Reduzem os reflexos
Ambiente escuro Dificulta visualizar obstáculos
Pressa Reduz a atenção
Falta de auxílio Aumenta o risco de perda de equilíbrio

Como prevenir:

  • Orientar o uso da campainha.
  • Auxiliar pacientes de alto risco nas idas ao banheiro.
  • Manter iluminação noturna adequada.
  • Avaliar hipotensão postural.
  • Disponibilizar dispositivos auxiliares quando indicados.

Situação 2 – O suporte de soro virou "bengala"

É uma cena muito comum. O paciente acredita que o suporte de soro oferece estabilidade semelhante a um andador. Na realidade ocorre exatamente o contrário.

Paciente levanta
      │
      ▼
Segura o suporte de soro
      │
      ▼
Equipamento desloca
      │
      ▼
Paciente perde equilíbrio
      │
      ▼
Suporte tomba
      │
      ▼
QUEDA

Além da queda, podem ocorrer:

Consequência Risco
Tração do acesso venoso Muito alto
Perda do acesso Alto
Extravasamento de medicamentos Alto
Tombamento da bomba de infusão Alto
Lesões por impacto Alto

Conduta correta:

  • Nunca utilizar o suporte de soro como dispositivo de marcha.
  • Solicitar auxílio da equipe.
  • Utilizar andador ou outro dispositivo apropriado quando indicado.

Situação 3 – Caminhar apenas de meias

Muitos pacientes acreditam que caminhar apenas de meias é mais confortável. Na realidade, pisos hospitalares geralmente possuem acabamento liso para facilitar a limpeza e desinfecção, reduzindo o atrito quando comparados a um piso antiderrapante.

Situação Consequência
Piso encerado ou polido Escorregão
Piso úmido Queda
Mudança de direção Perda de aderência

Prevenção:

  • Utilizar meias antiderrapantes.
  • Utilizar calçados fechados com solado antiderrapante.

Situação 4 – Chinelos inadequados

Os chinelos estão entre os calçados mais utilizados por pacientes internados. Também estão entre os menos seguros.

Erro Consequência
Chinelos largos Pé escapa facilmente
Solado gasto Redução da aderência
Chinelo molhado Escorregamento
Numeração inadequada Tropeços

Dar preferência a calçados fechados ou meias antiderrapantes quando apropriado.


Situação 5 – Objetos fora do alcance

Muitas quedas acontecem ainda com o paciente sobre a cama. O paciente tenta alcançar celular, controle remoto, copo d'água, campainha, óculos ou carregador. Ao inclinar excessivamente o tronco, perde o equilíbrio, desliza e cai do leito.

Item Conduta
Campainha Sempre ao alcance
Água Próxima ao paciente
Celular Em local seguro
Objetos pessoais Mesa de cabeceira organizada

Situação 6 – Piso molhado

Nem sempre a limpeza é a causa. O piso pode ficar molhado por banho, vazamentos, urina, soluções intravenosas ou limpeza do quarto.

Como prevenir:

  • Sinalizar imediatamente.
  • Remover excesso de água.
  • Acompanhar pacientes durante a deambulação.

Situação 7 – Transferência cama–cadeira

Uma das atividades mais críticas.

Erro Consequência
Freios destravados Cadeira movimenta
Paciente levanta rapidamente Tontura
Falta de auxílio Perda de equilíbrio
Piso molhado Escorregão

Checklist:

  • Freios travados.
  • Calçados adequados.
  • Equipe posicionada.
  • Ambiente livre.
  • Paciente orientado.

Situação 8 – Paciente recém-operado

Após cirurgia podem ocorrer hipotensão, fraqueza, sonolência e efeitos residuais da anestesia.

Recomendação: nunca incentivar o paciente a caminhar sem avaliação prévia da equipe.


Situação 9 – Criança tentando descer do leito

Essa é uma das principais causas de queda em pediatria.

Situação Risco
Grades abaixadas Muito alto
Criança brincando sobre a cama Muito alto
Criança tentando alcançar brinquedos Alto
Acompanhante distraído Alto

Medidas preventivas:

  • Grades elevadas quando indicadas.
  • Supervisão constante.
  • Objetos ao alcance.
  • Orientação aos responsáveis.

Situação 10 – Acompanhante dormindo no mesmo leito da criança

Embora muitos acompanhantes façam isso para tranquilizar a criança, essa prática pode aumentar significativamente o risco de acidentes.

Situação Possível consequência
Adulto muda de posição durante o sono Criança é deslocada para a borda do leito
Grades permanecem abaixadas Queda do leito
Criança tenta levantar sem ser percebida Queda
Espaço reduzido Compressão e perda de estabilidade

Boas práticas:

  • Utilizar a poltrona ou cama destinada ao acompanhante, quando disponível.
  • Manter a criança acomodada no leito apropriado para sua idade.
  • Manter grades elevadas conforme indicação assistencial.
Importante: essa orientação está alinhada aos princípios dos protocolos de prevenção de quedas e às boas práticas de segurança do paciente. Como vimos anteriormente, não existe uma proibição expressa em norma federal para o acompanhante dormir no mesmo leito, mas essa prática não é recomendada por aumentar o risco de acidentes.

Resumo do Capítulo – As quedas mais comuns têm algo em comum

Situação Poderia ser evitada?
Levantar sozinho ✅
Caminhar usando suporte de soro ✅
Usar chinelos inadequados ✅
Caminhar apenas de meias ✅
Piso molhado ✅
Objetos fora do alcance ✅
Transferência inadequada ✅
Criança sem supervisão ✅
Grades abaixadas ✅
Acompanhante mobilizando paciente sozinho ✅

A grande maioria das quedas hospitalares não decorre de um único erro, mas da soma de pequenos fatores de risco. Identificar essas situações antes que elas ocorram é a estratégia mais eficaz para reduzir acidentes e promover uma assistência mais segura.


Tabela 1 – As principais situações de queda em ambiente hospitalar

Nº Situação Como o acidente acontece Principais fatores envolvidos Possíveis consequências Medidas preventivas Produtos e equipamentos relacionados
1 Levantar para ir ao banheiro sozinho O paciente levanta sem solicitar auxílio, geralmente durante a noite Sedação, hipotensão postural, urgência urinária, fraqueza Queda da própria altura, traumatismos e fraturas Orientar o uso da campainha, acompanhar pacientes de risco e manter iluminação adequada Campainha, barras de apoio, cadeira higiênica
2 Utilizar o suporte de soro como apoio O paciente utiliza o suporte como se fosse um andador Instabilidade do equipamento e perda do equilíbrio Queda, tração do acesso venoso e danos ao equipamento Nunca utilizar o suporte como dispositivo de marcha Andador, bengala, cadeira de rodas
3 Caminhar apenas de meias A meia reduz a aderência ao piso hospitalar Piso liso ou úmido Escorregões e quedas Utilizar meias antiderrapantes ou calçados adequados Meias antiderrapantes
4 Utilizar chinelos inadequados O chinelo dobra, escapa do pé ou possui solado desgastado Calçado inadequado Tropeços e perda de equilíbrio Preferir calçados fechados com solado antiderrapante Calçados hospitalares
5 Alcançar objetos distantes O paciente inclina excessivamente o corpo sobre o leito Limitação de mobilidade, perda do centro de gravidade Queda do leito Manter objetos de uso frequente ao alcance Mesa auxiliar, organizadores de leito
6 Caminhar sobre piso molhado O paciente atravessa área úmida durante a deambulação Limpeza, vazamentos ou derramamentos Escorregões Sinalizar e secar imediatamente o piso Placas de sinalização
7 Transferência cama–cadeira A cadeira movimenta ou o paciente perde estabilidade durante a transferência Freios destravados, ausência de auxílio e fraqueza muscular Queda durante a mobilização Travar os freios e realizar transferência assistida Cadeira de rodas, cinto de transferência
8 Levantar logo após cirurgia ou sedação O paciente tenta caminhar antes da recuperação adequada Anestesia, opioides, hipotensão e tontura Queda e agravamento do quadro clínico Avaliar a condição clínica antes da deambulação Andador, cadeira de rodas
9 Criança tentando sair do leito A criança tenta descer sozinha ou brincar sobre a cama Curiosidade, ausência de supervisão e grades abaixadas Queda do leito Supervisão contínua e grades elevadas quando indicadas Berço hospitalar, grades laterais
10 Acompanhante dormindo no mesmo leito da criança A movimentação do adulto ou da criança reduz a estabilidade durante o sono Compartilhamento do leito e grades abaixadas Queda da criança Utilizar a poltrona ou cama destinada ao acompanhante Poltrona do acompanhante

Tabela 2 – Fatores que mais contribuem para as quedas

Fator observado Frequência nas situações analisadas Nível de impacto
Levantar sem auxílio Muito frequente 🔴 Muito alto
Alterações do estado clínico (fraqueza, tontura, hipotensão) Muito frequente 🔴 Muito alto
Ambiente inadequado Frequente 🟠 Alto
Uso incorreto de equipamentos Frequente 🟠 Alto
Falta de orientação ao paciente Frequente 🟠 Alto
Ausência de supervisão Frequente 🟠 Alto
Calçados inadequados Moderada 🟡 Médio
Objetos fora do alcance Moderada 🟡 Médio

Tabela 3 – Responsabilidades na prevenção

Situação Paciente Acompanhante Enfermagem Médico Fisioterapeuta
Levantar sem auxílio ✔ ✔ ✔
Utilizar suporte de soro como apoio ✔ ✔ ✔
Caminhar apenas de meias ✔ ✔ ✔
Utilizar chinelos inadequados ✔ ✔ ✔
Objetos fora do alcance ✔ ✔
Piso molhado ✔
Transferência cama–cadeira ✔ ✔
Pós-operatório imediato ✔ ✔ ✔
Criança desacompanhada ✔ ✔
Compartilhamento do leito ✔ ✔

Tabela 4 – Condutas recomendadas

Situação O que fazer O que evitar
Levantar da cama Solicitar auxílio da equipe Levantar rapidamente ou sozinho
Caminhar Utilizar calçado adequado e dispositivo de apoio quando indicado Caminhar apenas de meias ou com chinelos frouxos
Transferências Travar os freios e realizar a movimentação com auxílio Movimentar a cadeira durante a transferência
Uso de equipamentos Utilizar apenas equipamentos destinados ao apoio da marcha Apoiar-se no suporte de soro ou em móveis instáveis
Objetos pessoais Manter campainha, telefone, água e óculos ao alcance Inclinar-se para alcançar objetos distantes
Crianças hospitalizadas Manter supervisão constante e grades elevadas quando indicado Permitir que a criança permaneça desacompanhada ou compartilhe o leito
Alerta Dental Access: A maioria das quedas hospitalares ocorre durante atividades rotineiras e previsíveis. Isso significa que grande parte desses eventos pode ser evitada por meio de medidas simples, planejamento da assistência e participação ativa do paciente, do acompanhante e da equipe multiprofissional.

Resumo do Capítulo: As quedas hospitalares não são eventos aleatórios. Elas acontecem em situações recorrentes, identificáveis e, na maioria das vezes, evitáveis. Conhecer essas situações permite direcionar ações preventivas antes que o acidente ocorra. As tabelas apresentadas neste capítulo funcionam como um guia de consulta rápida, auxiliando profissionais de saúde, gestores, pacientes e acompanhantes a reconhecer os cenários de maior risco e adotar medidas preventivas de forma objetiva.


Capítulo 3 – Fatores de Risco para Quedas em Ambiente Hospitalar

Nem todos os pacientes apresentam o mesmo risco de queda. Enquanto alguns conseguem caminhar com segurança, outros necessitam de supervisão constante, dispositivos de apoio ou auxílio da equipe para realizar atividades simples.

A avaliação do risco deve ser realizada na admissão do paciente e repetida sempre que houver alterações em seu estado clínico, tratamento medicamentoso, mobilidade ou ambiente de internação.

Os fatores de risco podem ser classificados em intrínsecos, relacionados às condições do próprio paciente, e extrínsecos, associados ao ambiente, aos equipamentos e ao processo assistencial.

Tabela 1 – Classificação dos fatores de risco

Categoria Definição Exemplos
Intrínsecos Relacionados às condições clínicas e funcionais do paciente Idade avançada, fraqueza muscular, alterações cognitivas, hipotensão, déficit visual
Extrínsecos Relacionados ao ambiente, equipamentos ou assistência Piso molhado, iluminação inadequada, grades abaixadas, cadeira sem freios, obstáculos

Tabela 2 – Principais fatores de risco intrínsecos

Fator Como aumenta o risco Grau de impacto
Idade avançada Redução do equilíbrio, força muscular e reflexos 🔴 Muito Alto
Histórico de quedas Indica maior probabilidade de recorrência 🔴 Muito Alto
Alterações da marcha Instabilidade durante a deambulação 🔴 Muito Alto
Fraqueza muscular Dificulta levantar e caminhar 🔴 Muito Alto
Tontura ou vertigem Compromete o equilíbrio 🔴 Muito Alto
Hipotensão postural Pode causar perda súbita da estabilidade 🔴 Muito Alto
Déficit visual Dificulta identificar obstáculos 🟠 Alto
Déficit auditivo Reduz percepção do ambiente 🟡 Moderado
Alterações cognitivas Confusão, desorientação e impulsividade 🔴 Muito Alto
Doença de Parkinson Alterações da marcha e equilíbrio 🔴 Muito Alto
AVC Déficits motores e sensitivos 🔴 Muito Alto
Dor intensa Limita movimentos seguros 🟠 Alto
Incontinência urinária Aumenta a pressa para chegar ao banheiro 🟠 Alto

Tabela 3 – Medicamentos frequentemente associados ao aumento do risco de queda

Classe medicamentosa Possíveis efeitos Nível de risco
Sedativos e hipnóticos Sonolência e redução dos reflexos 🔴 Muito Alto
Benzodiazepínicos Alteração do equilíbrio e coordenação 🔴 Muito Alto
Opioides Sedação, tontura e hipotensão 🔴 Muito Alto
Anti-hipertensivos Hipotensão postural 🔴 Muito Alto
Diuréticos Urgência urinária e desidratação 🟠 Alto
Antidepressivos Alterações de atenção e equilíbrio 🟠 Alto
Antipsicóticos Sedação e alterações motoras 🔴 Muito Alto
Hipoglicemiantes e insulina Episódios de hipoglicemia 🟠 Alto
Importante: o uso desses medicamentos não contraindica a deambulação, mas exige monitoramento e medidas preventivas adicionais.

Tabela 4 – Fatores ambientais

Situação encontrada Como contribui para a queda Prioridade de correção
Piso molhado Escorregamento 🔴 Imediata
Piso irregular Tropeços 🔴 Imediata
Iluminação insuficiente Dificulta visualizar obstáculos 🟠 Alta
Cabos e fios expostos Obstáculos durante a marcha 🟠 Alta
Objetos espalhados Aumentam o risco de tropeços 🟠 Alta
Grades abaixadas Favorecem quedas do leito 🔴 Imediata
Cadeira de rodas sem freios Instabilidade na transferência 🔴 Imediata
Campainha fora do alcance Incentiva o paciente a levantar sozinho 🟠 Alta

Tabela 5 – Pacientes que exigem atenção especial

Perfil do paciente Justificativa Monitoramento recomendado
Idosos Redução natural da capacidade funcional Avaliação diária
Pós-operatório imediato Efeito residual da anestesia e analgesia Assistência na primeira deambulação
Pacientes sedados Reflexos reduzidos Supervisão contínua
Déficit neurológico Alterações motoras e cognitivas Plano individual de mobilização
Pacientes com dispositivos invasivos Limitação da mobilidade Auxílio durante deslocamentos
Crianças pequenas Curiosidade e imprevisibilidade Supervisão constante
Gestantes e puérperas Alterações fisiológicas e fadiga Auxílio quando necessário

Tabela 6 – Sinais de alerta que exigem reavaliação imediata

Situação observada Conduta recomendada
Tontura ao levantar Suspender a deambulação e reavaliar
Queda recente Reclassificar o risco e investigar a causa
Alteração do nível de consciência Comunicar a equipe médica imediatamente
Início de medicação sedativa Reavaliar o plano de prevenção
Piora da mobilidade Solicitar avaliação da fisioterapia
Episódios de hipotensão Monitorar sinais vitais e revisar condutas
Agitação ou confusão mental Intensificar supervisão

Mitos e Verdades

Afirmação Resposta Comentário
Apenas idosos sofrem quedas. ❌ Mito Qualquer paciente pode cair, dependendo das circunstâncias.
Quem já caiu possui maior risco de cair novamente. ✅ Verdade O histórico de quedas é um importante fator preditivo.
O uso de sedativos aumenta o risco de queda. ✅ Verdade Esses medicamentos podem reduzir os reflexos e alterar o equilíbrio.
Pacientes independentes não precisam de orientação. ❌ Mito A orientação deve ser oferecida a todos os pacientes.
O risco de queda pode mudar durante a internação. ✅ Verdade Alterações clínicas ou terapêuticas exigem nova avaliação.

Checklist – Avaliação Inicial do Risco de Quedas

Antes de definir as medidas preventivas, verifique:

Item Sim Não
Histórico de queda nos últimos 12 meses ☐ ☐
Dificuldade para caminhar ☐ ☐
Uso de sedativos ou opioides ☐ ☐
Alterações cognitivas ☐ ☐
Hipotensão postural ☐ ☐
Déficit visual importante ☐ ☐
Necessidade de auxílio para mobilidade ☐ ☐
Uso de dispositivos de apoio ☐ ☐
Ambiente apresenta obstáculos ☐ ☐
Campainha e objetos estão ao alcance ☐ ☐
Alerta Dental Access: O risco de queda é dinâmico. Um paciente inicialmente classificado como de baixo risco pode passar a apresentar alto risco após uma cirurgia, introdução de um novo medicamento, piora clínica ou alteração da mobilidade. Por isso, a avaliação deve ser contínua durante toda a internação.

Resumo do Capítulo: A identificação precoce dos fatores de risco é a base de qualquer programa de prevenção de quedas. Avaliar apenas o paciente não é suficiente: é necessário considerar também os medicamentos em uso, o ambiente, os equipamentos disponíveis e a forma como a assistência é prestada. Quanto mais cedo esses fatores forem reconhecidos, maiores são as chances de evitar um evento adverso.


Capítulo 4 – Medidas Práticas para Prevenção de Quedas

A prevenção de quedas depende da adoção de medidas simples, aplicadas de forma sistemática por toda a equipe multiprofissional. Após identificar os fatores de risco, o próximo passo é implementar intervenções compatíveis com o perfil de cada paciente.

Não existe uma única medida capaz de eliminar completamente o risco de queda. O sucesso está na combinação de diferentes estratégias que envolvem o paciente, o acompanhante, o ambiente, os equipamentos e os profissionais de saúde.

Tabela 1 – Medidas preventivas de acordo com o fator de risco

Fator identificado Medida preventiva Prioridade
Alteração da marcha Auxiliar a deambulação e utilizar dispositivo de apoio quando indicado 🔴 Alta
Hipotensão postural Levantar o paciente de forma gradual e monitorar sintomas 🔴 Alta
Sedação Restringir deambulação sem supervisão 🔴 Alta
Déficit visual Garantir iluminação adequada e uso de óculos quando disponíveis 🟠 Média
Déficit cognitivo Supervisão frequente e orientações repetidas 🔴 Alta
Histórico de quedas Elaborar plano individual de prevenção 🔴 Alta
Fraqueza muscular Solicitar avaliação fisioterapêutica 🟠 Média
Urgência urinária Oferecer auxílio frequente para ida ao banheiro 🔴 Alta

Tabela 2 – Cuidados com o ambiente hospitalar

Item a verificar Condição recomendada
Piso Limpo, seco e sem irregularidades
Iluminação Adequada, principalmente durante a noite
Corredores Livres de obstáculos
Cabos e fios Organizados e protegidos
Grades da cama Elevadas quando indicadas
Freios da cama Travados durante repouso
Freios da cadeira de rodas Acionados durante transferências
Objetos pessoais Sempre ao alcance do paciente
Campainha Acessível em tempo integral
Mobiliário Posicionado sem dificultar a circulação

Tabela 3 – Cuidados durante a mobilização do paciente

Situação Conduta recomendada
Primeira deambulação após cirurgia Realizar sempre com auxílio da equipe
Transferência cama–cadeira Travar freios e orientar o paciente
Caminhada no corredor Avaliar necessidade de acompanhante ou dispositivo de apoio
Levantar após longo período de repouso Sentar primeiro na beira do leito e observar possíveis tonturas
Uso de dispositivos invasivos Organizar cabos e equipos antes da mobilização

Tabela 4 – O que nunca deve acontecer

Conduta inadequada Risco gerado
Levantar o paciente sozinho Queda durante a mobilização
Utilizar suporte de soro como apoio Tombamento do equipamento
Caminhar apenas de meias Escorregamento
Utilizar chinelos largos Tropeços
Manter grades abaixadas sem indicação Queda do leito
Deixar a campainha fora do alcance Paciente tenta levantar sozinho
Manter piso molhado sem sinalização Escorregões
Transferir paciente sem travar os freios Instabilidade da cadeira ou da cama

Tabela 5 – Responsabilidades da equipe multiprofissional

Profissional Principais ações preventivas
Enfermeiro Avaliar o risco, planejar cuidados e orientar paciente e acompanhante
Técnico/Auxiliar de Enfermagem Executar medidas preventivas e monitorar o paciente
Médico Revisar medicamentos e condições clínicas que aumentam o risco
Fisioterapeuta Avaliar marcha, equilíbrio e indicar dispositivos auxiliares
Farmacêutico Identificar medicamentos associados ao aumento do risco
Terapeuta Ocupacional Propor adaptações para mobilidade segura
Equipe de Higienização Manter pisos secos e sinalizar áreas em limpeza
Gestores Garantir recursos, treinamento e monitoramento dos indicadores

Tabela 6 – Participação do paciente e do acompanhante

Paciente deve... Acompanhante deve...
Solicitar ajuda antes de levantar Chamar a equipe quando perceber dificuldade de mobilidade
Utilizar calçado adequado Não levantar ou transferir o paciente sozinho
Informar episódios de tontura Manter grades conforme orientação da equipe
Utilizar dispositivos prescritos Manter objetos pessoais organizados e ao alcance
Respeitar orientações da equipe Comunicar qualquer alteração observada no paciente

Fluxo operacional de prevenção

Paciente internado
        │
        ▼
Avaliação do risco
        │
        ▼
Identificação dos fatores de risco
        │
        ▼
Definição das medidas preventivas
        │
        ▼
Orientação ao paciente e acompanhante
        │
        ▼
Adequação do ambiente
        │
        ▼
Monitoramento contínuo
        │
        ▼
Reavaliação sempre que houver mudança clínica

Os equipamentos utilizados na prevenção de quedas, suas indicações e boas práticas são detalhados no Capítulo 7.

Alerta Dental Access: A prevenção de quedas não depende apenas de equipamentos ou protocolos. Ela depende principalmente da aplicação consistente de medidas simples em todos os turnos de trabalho. Pequenas falhas, quando somadas, podem resultar em um evento adverso grave.

Resumo do Capítulo: A prevenção de quedas deve ser encarada como um processo contínuo, iniciado na admissão do paciente e mantido durante toda a internação. A avaliação sistemática dos fatores de risco, a adequação do ambiente, a utilização correta dos equipamentos e a participação ativa da equipe, do paciente e do acompanhante formam um conjunto de ações capazes de reduzir significativamente a ocorrência de quedas e promover uma assistência mais segura.


Capítulo 5 – Cuidados Especiais na Prevenção de Quedas

Embora os princípios da prevenção de quedas sejam os mesmos para todos os pacientes, alguns grupos apresentam características clínicas que exigem cuidados específicos.

Idosos, crianças, gestantes, pacientes críticos e pessoas com alterações cognitivas, por exemplo, possuem fatores de risco próprios e necessitam de estratégias individualizadas para reduzir a ocorrência de acidentes.

Tabela 1 – Cuidados por perfil do paciente

Perfil Principais riscos Medidas prioritárias
Idosos Perda do equilíbrio, fraqueza muscular, alterações visuais e uso de múltiplos medicamentos Auxílio na deambulação, iluminação adequada, dispositivos de apoio e reavaliação frequente
Crianças Curiosidade, impulsividade e dificuldade em reconhecer riscos Supervisão constante, grades elevadas quando indicadas e orientação aos responsáveis
Gestantes e puérperas Alterações do equilíbrio, hipotensão, fadiga e dor Auxílio na primeira deambulação e apoio nas idas ao banheiro
Pós-operatório Sedação residual, dor e hipotensão Primeira mobilização assistida e monitoramento contínuo
Pacientes neurológicos Déficits motores, sensoriais e cognitivos Plano individual de mobilização e fisioterapia
Pacientes críticos Dispositivos invasivos, fraqueza adquirida e instabilidade clínica Mobilização planejada pela equipe multiprofissional

1. Idosos

Os idosos representam um dos grupos com maior incidência de quedas hospitalares devido às alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento e à maior frequência de doenças crônicas.

Condição Como interfere
Redução da força muscular Dificulta levantar e caminhar
Alterações visuais Dificultam identificar obstáculos
Alterações auditivas Reduzem a percepção do ambiente
Osteoporose Aumenta o risco de fraturas
Polifarmácia Pode causar tontura, sonolência e hipotensão
Doenças neurológicas Alteram equilíbrio e coordenação

Recomendações:

  • Auxiliar sempre a primeira deambulação.
  • Evitar mudanças bruscas de posição.
  • Incentivar o uso de dispositivos auxiliares prescritos.
  • Reavaliar o risco diariamente.

2. Crianças

As quedas em pediatria geralmente não estão relacionadas à perda do equilíbrio, mas ao comportamento exploratório da criança.

Situação Risco
Criança tentando sair do berço Muito alto
Brincadeiras sobre o leito Alto
Grades abaixadas Muito alto
Supervisão inadequada Muito alto

Recomendações:

  • Manter supervisão contínua.
  • Utilizar berços e leitos apropriados para a idade.
  • Manter grades elevadas quando indicadas.
  • Orientar pais e responsáveis.

Tabela 2 – Recomendações aos acompanhantes de crianças

Faça Evite
Solicite auxílio da enfermagem para retirar a criança do leito Deixar a criança sozinha no leito
Utilize a poltrona destinada ao acompanhante Dormir com a criança no mesmo leito
Mantenha brinquedos organizados Deixar objetos espalhados no quarto
Informe qualquer alteração clínica Movimentar a criança sem orientação quando houver restrições

3. Gestantes e Puérperas

Durante a gestação e principalmente no pós-parto imediato, alterações fisiológicas podem comprometer temporariamente o equilíbrio e a mobilidade.

Situação Possível consequência
Hipotensão Tontura ao levantar
Dor pós-operatória Instabilidade durante a marcha
Fadiga Redução dos reflexos
Sangramento Fraqueza
Uso de analgésicos Sonolência

Recomendações:

  • Auxiliar a primeira deambulação.
  • Oferecer apoio nas idas ao banheiro.
  • Orientar quanto ao uso da campainha.
  • Evitar levantar-se rapidamente.

4. Pacientes Neurológicos

Pacientes com AVC, doença de Parkinson, esclerose múltipla ou outras condições neurológicas apresentam alterações importantes da mobilidade.

Situação Conduta
Hemiparesia Auxílio bilateral durante a marcha
Alteração do equilíbrio Dispositivo auxiliar conforme avaliação
Déficit cognitivo Supervisão permanente
Alteração visual Adequação do ambiente

5. Pacientes em Pós-operatório

O período imediatamente após cirurgias concentra elevado risco de queda devido aos efeitos residuais da anestesia, da analgesia e à redução temporária da capacidade funcional.

Verificação OK
Sinais vitais estáveis ☐
Paciente consciente ☐
Ausência de tontura importante ☐
Analgesia adequada ☐
Equipe disponível para auxiliar ☐
Calçado adequado ☐
Ambiente livre de obstáculos ☐

6. Pacientes com Alteração Cognitiva

Pacientes com demência, delirium ou outras alterações cognitivas frequentemente não reconhecem seus próprios limites funcionais.

Medida Objetivo
Supervisão frequente Evitar mobilização sem auxílio
Reorientação verbal Reduzir desorientação
Ambiente organizado Diminuir estímulos que favoreçam impulsividade
Participação da família Reforçar orientações de segurança

Tabela 3 – Medidas específicas por perfil

Medida preventiva Idosos Crianças Gestantes Neurológicos Pós-operatório
Avaliação diária ✔ ✔ ✔ ✔ ✔
Supervisão da deambulação ✔ ✔ ✔ ✔ ✔
Grades elevadas quando indicadas ✔ ✔ ✔ ✔
Dispositivo de apoio ✔ ✔ ✔
Orientação ao acompanhante ✔ ✔ ✔ ✔ ✔
Reavaliação após mudança clínica ✔ ✔ ✔ ✔ ✔

Atenção Especial – Situações que exigem vigilância reforçada

Situação Motivo
Primeiras 24 horas após cirurgia Efeitos residuais da anestesia e analgesia
Introdução de sedativos Alteração do nível de consciência
Episódios de hipotensão Instabilidade ao levantar
Delirium ou confusão mental Comportamento imprevisível
Primeira mobilização após longo período no leito Fraqueza muscular e intolerância ortostática
Crianças sem supervisão Comportamento exploratório
Alerta Dental Access: Os protocolos de prevenção de quedas devem ser adaptados às necessidades de cada paciente. Aplicar as mesmas medidas para todos os perfis pode ser insuficiente ou, em alguns casos, inadequado. A individualização da assistência é um dos pilares da segurança do paciente.

Resumo do Capítulo: Pacientes hospitalizados apresentam necessidades distintas conforme a idade, condição clínica, tratamento recebido e capacidade funcional. O reconhecimento dessas particularidades permite que a equipe multiprofissional adote medidas preventivas específicas, reduzindo a ocorrência de quedas e promovendo uma assistência mais segura e personalizada.


Capítulo 6 – Prevenção de Quedas por Ambiente Hospitalar

O risco de queda varia conforme o ambiente hospitalar. Cada setor possui características próprias relacionadas ao perfil dos pacientes, aos procedimentos realizados, aos equipamentos utilizados e à dinâmica assistencial.

Por esse motivo, as medidas preventivas devem ser adaptadas às particularidades de cada local, reduzindo os riscos específicos de cada etapa da assistência.

Tabela 1 – Principais ambientes hospitalares e seus riscos

Ambiente Nível de risco Principais causas de queda
Quarto de internação 🔴 Muito Alto Levantar sozinho, grades abaixadas, objetos fora do alcance
Banheiro 🔴 Muito Alto Piso molhado, barras insuficientes, tontura
Corredores 🟠 Alto Caminhada sem auxílio, obstáculos, pisos escorregadios
Centro Cirúrgico 🟡 Moderado Transferências e movimentação anestésica
Recuperação Pós-Anestésica 🔴 Muito Alto Sonolência, hipotensão e efeitos da anestesia
UTI 🟠 Alto Mobilização com múltiplos dispositivos invasivos
Pediatria 🔴 Muito Alto Crianças tentando sair do leito
Obstetrícia 🟠 Alto Hipotensão, dor e fadiga pós-parto
Diagnóstico por imagem 🟠 Alto Transferências entre maca e equipamento
Transporte intra-hospitalar 🔴 Muito Alto Deslocamentos e mudanças de superfície

1. Quarto de Internação

A maior parte das quedas hospitalares ocorre dentro do próprio quarto, principalmente durante atividades rotineiras.

Situação Risco
Levantar sem auxílio 🔴 Muito Alto
Objetos fora do alcance 🟠 Alto
Grades abaixadas 🔴 Muito Alto
Iluminação insuficiente 🟠 Alto
Cabos atravessando a circulação 🟠 Alto

Checklist do quarto

Item Verificação
Campainha acessível ☐
Água ao alcance ☐
Celular e óculos próximos ☐
Grades conforme indicação ☐
Freios da cama travados ☐
Piso seco ☐
Iluminação noturna adequada ☐
Calçado adequado ☐
Paciente orientado ☐
Acompanhante orientado ☐

2. Banheiro

O banheiro reúne diversos fatores de risco simultaneamente: piso molhado, espaço reduzido, mudanças de posição e ausência momentânea da equipe.

Situação Consequência
Piso molhado Escorregamento
Levantar do vaso sanitário Hipotensão postural
Falta de barras de apoio Perda do equilíbrio
Tapetes improvisados Tropeços
Fazer Evitar
Utilizar barras de apoio Apoiar-se em portas ou pias
Solicitar auxílio quando necessário Ir sozinho ao banheiro mesmo apresentando tontura
Manter o piso seco Deixar água acumulada

3. Corredores

Embora sejam áreas amplas, os corredores concentram quedas relacionadas à deambulação.

Fator Medida preventiva
Piso encerado Utilizar produtos que não deixem superfície escorregadia
Equipamentos estacionados Manter circulação livre
Cabos e extensões Organizar adequadamente
Iluminação insuficiente Corrigir imediatamente

4. Centro Cirúrgico e Recuperação Anestésica

Neste setor, a maior preocupação é a mobilização precoce após procedimentos anestésicos.

Situação Conduta
Primeira deambulação Sempre assistida
Transferência maca–leito Equipe suficiente para a mobilização
Sonolência Não permitir deambulação independente
Hipotensão Monitorar antes da mobilização

5. Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

Mesmo pacientes restritos ao leito podem sofrer quedas durante procedimentos de mobilização ou transferência.

Situação Risco
Mobilização precoce Instabilidade clínica
Múltiplos dispositivos Enrosco de cabos e equipos
Transferência para exames Desconexões e perda de estabilidade

Recomendações:

  • Planejar toda mobilização.
  • Organizar previamente os dispositivos.
  • Definir funções de cada membro da equipe.
  • Confirmar travamento de camas e macas.

6. Pediatria

As quedas em pediatria possuem características próprias.

Situação Medida preventiva
Criança brincando sobre o leito Supervisão constante
Grades abaixadas Manter elevadas quando indicadas
Brinquedos espalhados Organização do ambiente
Criança desacompanhada Nunca deixar sem supervisão

7. Obstetrícia

Após o parto, principalmente cesariana, a paciente pode apresentar limitações temporárias importantes.

Situação Conduta
Primeira deambulação Assistida pela equipe
Banho Auxílio quando necessário
Transporte do recém-nascido Evitar carregar o bebê durante episódios de tontura
Dor intensa Reavaliar antes da mobilização

8. Transporte Intra-hospitalar

O deslocamento entre setores representa um momento de elevado risco, especialmente para pacientes com mobilidade reduzida.

Item OK
Identificação confirmada ☐
Freios verificados ☐
Grades elevadas quando indicadas ☐
Dispositivos organizados ☐
Cilindro de oxigênio fixado ☐
Paciente orientado ☐

Tabela 2 – Equipamentos recomendados por ambiente

Ambiente Equipamentos mais utilizados
Quarto Cama hospitalar, grades laterais, campainha
Banheiro Barras de apoio, cadeira higiênica
Corredores Corrimãos e sinalização
Centro Cirúrgico Macas com travas e cintos de segurança
Recuperação Anestésica Macas com grades laterais
UTI Cama hospitalar elétrica, dispositivos de mobilização
Pediatria Berços hospitalares e grades
Obstetrícia Poltronas para amamentação e barras de apoio
Transporte Macas, cadeiras de rodas e cintos de segurança

Tabela 3 – Auditoria rápida por ambiente

Pergunta Sim Não
O ambiente está livre de obstáculos? ☐ ☐
O piso está seco? ☐ ☐
A iluminação é suficiente? ☐ ☐
Os equipamentos estão em boas condições? ☐ ☐
Os freios estão funcionando? ☐ ☐
Existem barras de apoio quando necessárias? ☐ ☐
Há sinalização adequada? ☐ ☐
Os profissionais conhecem o protocolo? ☐ ☐
Alerta Dental Access: A segurança do paciente não depende apenas de avaliar quem pode cair, mas também de identificar onde as quedas tendem a acontecer. Um ambiente organizado, bem sinalizado e equipado reduz significativamente a probabilidade de acidentes e complementa as medidas clínicas de prevenção.

Resumo do Capítulo: Cada ambiente hospitalar apresenta riscos específicos que exigem estratégias preventivas próprias. A adequação do espaço físico, a disponibilidade de equipamentos apropriados, a organização do fluxo assistencial e a atuação integrada da equipe são fundamentais para reduzir a ocorrência de quedas em todos os setores da instituição.


Capítulo 7 – Equipamentos Utilizados na Prevenção de Quedas

A prevenção de quedas depende da combinação entre avaliação clínica, capacitação da equipe, organização do ambiente e utilização adequada dos equipamentos de apoio.

Cada equipamento possui uma finalidade específica e deve ser selecionado conforme as necessidades do paciente, o grau de mobilidade, o risco de queda e o ambiente assistencial. Da mesma forma, seu uso inadequado pode criar novos riscos e comprometer a segurança do paciente.

Importante: Nenhum equipamento substitui a supervisão da equipe de saúde ou as medidas previstas no protocolo institucional de prevenção de quedas.

Tabela 1 – Equipamentos utilizados na prevenção de quedas

Equipamento Finalidade Principais indicações Boas práticas Erros a evitar Classificação
Cama hospitalar Garantir repouso e facilitar mobilizações seguras Todos os pacientes internados Manter freios acionados, ajustar a altura antes das transferências e deixar a campainha e objetos ao alcance Cama elevada ou destravada durante a transferência 🔴
Grades laterais Reduzir o risco de queda do leito quando clinicamente indicadas Pacientes sedados, confusos, pediátricos ou com risco elevado Avaliar diariamente a necessidade e posicionar corretamente Utilizar como contenção física sem indicação ou mantê-las abaixadas quando necessárias 🔴
Barras de apoio Auxiliar mudanças de posição e equilíbrio Banheiros, corredores e áreas de circulação Verificar a fixação e orientar o paciente quanto ao uso Apoiar-se em portas, pias ou móveis 🔴
Cadeira de rodas Realizar transporte seguro Pacientes com mobilidade reduzida Travar os freios antes das transferências e recolher os apoios dos pés quando necessário Transferir o paciente com a cadeira destravada 🔴
Andador Aumentar a estabilidade durante a marcha Pacientes com déficit de equilíbrio Regular a altura e orientar a técnica correta de marcha Caminhar distante do equipamento ou utilizá-lo desregulado 🔴
Bengala Fornecer apoio parcial durante a marcha Pacientes com limitação leve de mobilidade Ajustar corretamente a altura e verificar a ponteira antiderrapante Utilizar com ponteira desgastada ou altura inadequada 🟠
Muletas Reduzir a carga sobre um ou ambos os membros inferiores Pacientes ortopédicos e pós-operatórios Regular corretamente e orientar a sequência da marcha Apoiar o peso nas axilas ou utilizar regulagem incorreta 🟠
Meias antiderrapantes Melhorar a aderência ao piso Pacientes deambulando no ambiente hospitalar Utilizar tamanho adequado e substituir quando desgastadas Utilizar meias comuns em pisos lisos 🟠
Calçados hospitalares Reduzir escorregões e tropeços Pacientes em processo de mobilização Utilizar modelos fechados e com solado antiderrapante Utilizar chinelos frouxos ou calçados desgastados 🟠
Cadeira higiênica Reduzir deslocamentos até o banheiro Pacientes dependentes ou com mobilidade limitada Travar os freios antes do uso e posicionar corretamente Movimentar a cadeira durante a transferência 🟠
Cinto de transferência Proporcionar maior controle durante a mobilização Pacientes dependentes ou com instabilidade Utilizar somente por profissionais treinados e ajustar corretamente ao paciente Puxar o paciente pelos braços ou roupas 🟠

Legenda

Símbolo Classificação
🔴 Equipamento essencial na prevenção de quedas
🟠 Equipamento complementar, utilizado conforme avaliação clínica
🟡 Equipamento indicado para situações específicas

Tabela 2 – Como escolher o equipamento adequado

Situação clínica Equipamentos mais indicados
Paciente restrito ao leito Cama hospitalar, grades laterais
Déficit leve de equilíbrio Bengala
Déficit moderado de marcha Andador
Incapacidade de deambular com segurança Cadeira de rodas
Dificuldade para utilizar o banheiro Barras de apoio e cadeira higiênica
Transferências frequentes Cinto de transferência
Pós-operatório imediato Cama hospitalar, cadeira de rodas, andador (quando indicado)
Paciente pediátrico Berço hospitalar ou cama com grades conforme avaliação

Tabela 3 – Checklist antes da utilização

Verificação ✔
Equipamento íntegro e sem danos aparentes ☐
Freios funcionando corretamente (quando aplicável) ☐
Rodas em boas condições ☐
Regulagem adequada ao paciente ☐
Ponteiras antiderrapantes íntegras ☐
Estrutura firme e estável ☐
Limpeza e desinfecção realizadas conforme protocolo ☐
Paciente orientado quanto ao uso ☐

Tabela 4 – Boas práticas na utilização dos equipamentos

Equipamento Boas práticas
Cama hospitalar Ajustar a altura antes das transferências e manter freios acionados
Grades laterais Utilizar somente quando houver indicação clínica e verificar o travamento
Cadeira de rodas Travar os freios e retirar os apoios dos pés antes da transferência
Andador Caminhar mantendo o equipamento próximo ao corpo
Bengala Utilizar sempre com ponteira em boas condições
Barras de apoio Incentivar o paciente a utilizá-las durante mudanças de posição
Cinto de transferência Posicionar corretamente e utilizar técnica adequada de mobilização

Tabela 5 – Erros mais frequentes

Situação Consequência
Freios da cama destravados Deslocamento durante a transferência
Freios da cadeira de rodas destravados Queda durante o sentar ou levantar
Andador com altura incorreta Alteração da postura e perda do equilíbrio
Bengala com ponteira desgastada Escorregamento
Barras de apoio frouxas Falha estrutural durante o apoio
Meias comuns em piso liso Escorregões
Chinelos sem fixação Tropeços
Cinto de transferência utilizado incorretamente Perda do controle da mobilização

Tabela 6 – Inspeção e manutenção preventiva

Equipamento O que verificar Frequência recomendada*
Cama hospitalar Freios, rodas, comandos, grades e estrutura Antes de cada uso e conforme plano institucional
Cadeira de rodas Freios, pneus, rodas, apoios e estrutura Antes de cada uso
Andador Estrutura, regulagem e ponteiras Antes de cada uso
Bengala Regulagem e ponteira Antes de cada uso
Barras de apoio Fixação e integridade estrutural Conforme plano de manutenção predial
Cadeira higiênica Estrutura, rodas e freios Antes de cada uso
Cinto de transferência Costuras, fechos e integridade do material Antes de cada uso

*A frequência de inspeção deve seguir o plano de manutenção preventiva da instituição, as recomendações do fabricante e os protocolos internos.


Fluxograma – Seleção do equipamento

Paciente avaliado
        │
        ▼
Existe risco de queda?
        │
   ┌────┴────┐
   │         │
  Não        Sim
   │         │
Cuidados   Avaliar mobilidade
gerais         │
               ▼
     Restrito ao leito?
          │         │
         Sim       Não
          │         │
 Cama + Grades   Avaliar marcha
                     │
      ┌──────────────┼──────────────┐
      │              │              │
 Apoio leve    Apoio moderado   Sem deambulação segura
      │              │              │
  Bengala        Andador     Cadeira de rodas

Recomendações para aquisição de equipamentos

Ao selecionar equipamentos destinados à prevenção de quedas, a instituição deve considerar:

  • Conformidade com a legislação sanitária aplicável.
  • Registro regular quando exigido.
  • Instruções de uso (IFU) disponibilizadas pelo fabricante.
  • Facilidade de limpeza e desinfecção.
  • Ergonomia para pacientes e profissionais.
  • Disponibilidade de peças de reposição e assistência técnica.
  • Treinamento dos usuários.
  • Compatibilidade com o perfil assistencial da instituição.
Alerta Dental Access: A eficácia dos equipamentos depende diretamente de três fatores: seleção adequada, utilização correta e manutenção preventiva. Equipamentos seguros, associados a profissionais treinados e protocolos bem definidos, reduzem significativamente o risco de quedas e contribuem para uma assistência mais segura.

Resumo do Capítulo: Os equipamentos destinados à prevenção de quedas desempenham papel fundamental na segurança do paciente, desde que sejam selecionados de acordo com a condição clínica, utilizados corretamente e mantidos em perfeito estado de funcionamento. A adoção de boas práticas, inspeções periódicas e treinamento contínuo da equipe reduz falhas operacionais e fortalece a cultura de segurança nas instituições de saúde.


Capítulo 8 – Avaliação do Risco de Quedas

A avaliação do risco de quedas é uma das primeiras medidas de segurança que devem ser realizadas na admissão do paciente e repetidas sempre que houver alterações em sua condição clínica.

O objetivo não é apenas classificar o paciente em baixo, moderado ou alto risco, mas direcionar medidas preventivas proporcionais ao seu perfil clínico.

Importante: A avaliação do risco deve integrar o plano assistencial e ser reavaliada sempre que houver mudanças significativas no estado do paciente, como cirurgias, início de medicamentos de risco ou alterações da mobilidade.

Tabela 1 – Quando avaliar o risco de queda

Momento da assistência Avaliação recomendada Objetivo
Admissão ✔ Identificar riscos iniciais
Transferência entre setores ✔ Verificar mudanças clínicas
Pós-operatório ✔ Identificar riscos decorrentes da anestesia e da cirurgia
Mudança importante do quadro clínico ✔ Atualizar o plano preventivo
Introdução de medicamentos de risco ✔ Reavaliar o risco relacionado aos fármacos
Após uma queda ✔ Revisar fatores contribuintes e reforçar medidas preventivas
Alta hospitalar Quando indicado Orientar continuidade dos cuidados

Tabela 2 – Principais fatores avaliados

Fator O que deve ser observado
Histórico de quedas Quedas anteriores aumentam significativamente o risco
Mobilidade Marcha, equilíbrio, necessidade de auxílio
Estado cognitivo Confusão, delirium, demência ou desorientação
Uso de medicamentos Sedativos, opioides, anti-hipertensivos, diuréticos, entre outros
Visão e audição Déficits que dificultem a percepção do ambiente
Continência Urgência urinária ou necessidade frequente de ir ao banheiro
Dispositivos invasivos Sondas, drenos, cateteres e equipos que limitem a mobilidade
Ambiente Obstáculos, iluminação e organização do quarto

Tabela 3 – Principais escalas utilizadas

Escala Público-alvo Aplicação Vantagens Limitações
Morse Fall Scale Adultos hospitalizados Hospitais gerais Aplicação rápida e amplamente utilizada Não específica para pediatria
STRATIFY Adultos e idosos Enfermarias Simples e objetiva Menor abrangência de fatores
Humpty Dumpty Pediatria Hospitais infantis Desenvolvida para crianças Não aplicável a adultos
Johns Hopkins Fall Risk Assessment Tool Adultos Hospitais de média e alta complexidade Avaliação abrangente Exige maior tempo de aplicação
Observação: Cada instituição deve utilizar a escala definida em seu protocolo interno, respeitando as recomendações da Comissão de Segurança do Paciente e as características do perfil assistencial.

Tabela 4 – Comparativo das escalas

Critério Morse STRATIFY Humpty Dumpty Johns Hopkins
Adultos ✔ ✔ ✖ ✔
Pediatria ✖ ✖ ✔ ✖
Aplicação rápida ✔ ✔ ✔ ◐
Avaliação da marcha ✔ ✔ ✔ ✔
Avaliação medicamentosa Parcial Parcial Parcial ✔
Uso em hospitais brasileiros Muito frequente Frequente Frequente em pediatria Crescente

Tabela 5 – Interpretação prática da avaliação

Resultado da avaliação Condutas recomendadas
Baixo risco Orientações gerais de segurança, organização do ambiente e monitoramento conforme rotina
Risco moderado Reforçar orientações, revisar ambiente, avaliar necessidade de dispositivos de apoio e aumentar a supervisão
Alto risco Implementar todas as medidas preventivas previstas no protocolo institucional, reforçar a identificação do paciente, orientar acompanhante e intensificar a vigilância

Fluxograma – Avaliação do risco de quedas

Paciente admitido
        │
        ▼
Avaliação inicial
        │
        ▼
Aplicação da escala institucional
        │
        ▼
Classificação do risco
        │
 ┌──────┼─────────┐
 │      │         │
Baixo Moderado  Alto
 │      │         │
 ▼      ▼         ▼
Medidas Medidas   Medidas intensivas
básicas ampliadas de prevenção
        │
        ▼
Reavaliação periódica

Tabela 6 – Sinais que exigem reavaliação imediata

Situação Reavaliar?
Queda durante a internação ✔
Cirurgia realizada ✔
Introdução de sedativos ou opioides ✔
Alteração do nível de consciência ✔
Mudança importante da mobilidade ✔
Episódios de tontura ou síncope ✔
Hipotensão ✔
Mudança de setor ✔

Checklist – Avaliação inicial do paciente

Item ✔
Histórico de quedas investigado ☐
Marcha e equilíbrio avaliados ☐
Estado cognitivo avaliado ☐
Medicamentos revisados ☐
Necessidade de auxílio para deambulação identificada ☐
Ambiente inspecionado ☐
Acompanhante orientado (quando aplicável) ☐
Plano preventivo registrado ☐

Tabela 7 – Erros mais comuns durante a avaliação

Erro Possível consequência
Avaliar apenas na admissão Mudanças clínicas deixam de ser identificadas
Não registrar a classificação de risco Falhas na comunicação entre as equipes
Não reavaliar após cirurgia ou intercorrências Medidas preventivas tornam-se inadequadas
Desconsiderar medicamentos recém-prescritos Aumento do risco não identificado
Não envolver o acompanhante Menor adesão às medidas preventivas

Boas práticas para implantação da avaliação de risco

  • Definir uma única escala institucional.
  • Capacitar toda a equipe para sua aplicação.
  • Registrar o resultado no prontuário.
  • Integrar a classificação ao plano de cuidados.
  • Reavaliar o paciente sempre que houver mudança clínica.
  • Utilizar a avaliação como ferramenta para tomada de decisão, e não apenas como requisito documental.
  • Monitorar indicadores para verificar a efetividade do protocolo.
Alerta Dental Access: A avaliação do risco de quedas deve ser entendida como um processo contínuo. O risco de um paciente pode mudar ao longo da internação, tornando indispensáveis reavaliações periódicas e a atualização das medidas preventivas conforme sua evolução clínica.

Resumo do Capítulo: A avaliação sistemática do risco de quedas permite identificar precocemente pacientes mais vulneráveis e direcionar intervenções proporcionais às suas necessidades. Quando integrada aos protocolos institucionais, documentada adequadamente e revisada ao longo da internação, ela fortalece a cultura de segurança do paciente e reduz a ocorrência de eventos adversos.


Capítulo 9 – Sinalização e Comunicação do Risco de Quedas

A identificação visual e a comunicação eficaz entre os profissionais são componentes essenciais dos programas de prevenção de quedas.

Após a avaliação do risco, as informações devem ser transmitidas de forma clara e padronizada para todos os envolvidos na assistência, reduzindo falhas de comunicação e permitindo a adoção imediata das medidas preventivas.

Importante: Os métodos de sinalização podem variar entre as instituições. O mais importante é que o sistema seja padronizado, amplamente conhecido pela equipe e integrado aos protocolos internos.

Tabela 1 – Objetivos da sinalização do risco de queda

Objetivo Benefício para a assistência
Identificar rapidamente pacientes de risco Agilidade na adoção de medidas preventivas
Alertar toda a equipe multiprofissional Redução de falhas de comunicação
Facilitar a continuidade do cuidado Segurança durante trocas de plantão e transferências
Envolver pacientes e acompanhantes Maior adesão às orientações
Padronizar os processos institucionais Uniformidade das condutas

Tabela 2 – Principais formas de sinalização

Método Onde é utilizado Boas práticas Cuidados
Pulseira de identificação Punho do paciente Utilizar conforme protocolo institucional Confirmar periodicamente sua presença e integridade
Placa no leito Cabeceira da cama Utilizar símbolo padronizado pela instituição Evitar excesso de informações
Identificação no prontuário Registro físico ou eletrônico Atualizar sempre que houver reavaliação Garantir registro completo
Alerta no sistema eletrônico Prontuário eletrônico Disponibilizar informação para todas as equipes Revisar após mudanças clínicas
Sinalização no quarto Porta ou painel interno (quando adotado) Utilizar conforme normas institucionais Preservar privacidade do paciente

Tabela 3 – Situações que exigem atualização imediata da sinalização

Situação Atualizar a sinalização?
Mudança da classificação de risco ✔
Pós-operatório ✔
Introdução de sedativos ou opioides ✔
Alteração cognitiva ✔
Episódio de queda ✔
Transferência para outro setor ✔
Alta hospitalar Remover conforme protocolo

Fluxograma – Comunicação do risco

Avaliação realizada
        │
        ▼
Classificação do risco
        │
        ▼
Registro no prontuário
        │
        ▼
Aplicação da sinalização institucional
        │
        ▼
Comunicação à equipe multiprofissional
        │
        ▼
Orientação ao paciente e acompanhante
        │
        ▼
Reavaliação periódica

Tabela 4 – Comunicação durante a passagem de plantão

Informação Deve ser comunicada?
Classificação do risco ✔
Quedas anteriores ✔
Mudanças recentes da mobilidade ✔
Necessidade de auxílio para deambulação ✔
Uso de equipamentos de apoio ✔
Presença de acompanhante ✔
Medidas preventivas em andamento ✔

Tabela 5 – Orientações ao paciente

Orientação Objetivo
Solicitar auxílio antes de levantar Evitar mobilização sem supervisão
Utilizar a campainha quando necessário Facilitar o atendimento da equipe
Utilizar calçados adequados Reduzir escorregões
Não utilizar o suporte de soro como apoio para caminhar Evitar perda de equilíbrio
Informar episódios de tontura ou fraqueza Permitir reavaliação clínica

Tabela 6 – Orientações ao acompanhante

Orientação Motivo
Não levantar o paciente sozinho Evitar acidentes durante a mobilização
Solicitar auxílio da equipe sempre que necessário Garantir transferência segura
Manter objetos organizados Reduzir obstáculos
Informar alterações do estado clínico Atualizar o plano preventivo
Respeitar as orientações da equipe Garantir uniformidade das condutas

Tabela 7 – Erros mais frequentes na comunicação

Erro Consequência
Não registrar a avaliação de risco Falhas na continuidade da assistência
Não atualizar a sinalização após reavaliação Medidas preventivas inadequadas
Informações incompletas na passagem de plantão Perda de informações importantes
Não orientar o acompanhante Redução da adesão às medidas preventivas
Sistemas de identificação diferentes entre setores Confusão e aumento do risco de falhas

Checklist – Auditoria da comunicação do risco

Item ✔
Avaliação registrada no prontuário ☐
Sinalização aplicada conforme protocolo ☐
Equipe orientada ☐
Paciente orientado ☐
Acompanhante orientado (quando aplicável) ☐
Informação repassada na passagem de plantão ☐
Reavaliação registrada ☐

Boas práticas institucionais

Para fortalecer a comunicação do risco de quedas, recomenda-se que a instituição:

  • Adote um único padrão de identificação para todos os setores.
  • Capacite continuamente os profissionais quanto ao significado da sinalização utilizada.
  • Integre a classificação de risco aos sistemas eletrônicos e impressos.
  • Estabeleça rotinas para atualização da sinalização sempre que houver mudanças clínicas.
  • Inclua a classificação do risco de queda como item obrigatório nas passagens de plantão e nas transferências entre setores.
  • Oriente pacientes e acompanhantes de forma padronizada e documentada.
Alerta Dental Access: A identificação visual do risco de queda não é um fim em si mesma. Sua finalidade é garantir que qualquer profissional que entre em contato com o paciente reconheça imediatamente a necessidade de cuidados adicionais e adote as medidas preventivas previstas no protocolo institucional.

Resumo do Capítulo: A comunicação eficaz é o elo entre a avaliação do risco e a implementação das medidas preventivas. Sistemas de sinalização padronizados, registros atualizados, passagens de plantão estruturadas e orientação contínua de pacientes e acompanhantes reduzem falhas de comunicação e fortalecem a cultura de segurança nas instituições de saúde.


Capítulo 10 – Conduta Após a Ocorrência de uma Queda

Mesmo com protocolos bem estabelecidos, treinamentos periódicos e medidas preventivas adequadas, as quedas podem ocorrer.

Quando isso acontece, o objetivo da equipe deixa de ser a prevenção e passa a ser a minimização dos danos, a identificação precoce de lesões, o tratamento imediato do paciente, a investigação das causas e a implementação de ações que evitem novas ocorrências.

Importante: o paciente não deve ser levantado imediatamente após uma queda, sem avaliação inicial, principalmente quando houver suspeita de trauma, perda de consciência ou queixa de dor intensa.

Fluxograma – Conduta imediata após uma queda

Paciente sofreu uma queda
          │
          ▼
Garantir segurança do local
          │
          ▼
Avaliar nível de consciência
          │
          ▼
Pesquisar sinais de lesão
          │
          ▼
Acionar equipe responsável
          │
          ▼
Realizar avaliação clínica
          │
          ▼
Definir necessidade de exames
          │
          ▼
Registrar o evento
          │
          ▼
Notificar conforme protocolo institucional
          │
          ▼
Investigar causas
          │
          ▼
Revisar o plano de prevenção

Tabela 1 – Condutas imediatas

Etapa Objetivo Boas práticas Evitar
Garantir segurança Evitar novos acidentes Afastar riscos do ambiente Movimentar o paciente sem avaliação
Avaliação inicial Identificar gravidade Verificar consciência, respiração e queixas Subestimar sintomas leves
Acionamento da equipe Garantir atendimento adequado Comunicar imediatamente o responsável Atrasar a comunicação
Avaliação clínica Identificar lesões Examinar cuidadosamente o paciente Presumir ausência de lesões apenas porque o paciente está consciente
Registro Garantir rastreabilidade Documentar todos os achados Registros incompletos

Tabela 2 – Avaliação clínica inicial

Item Verificar
Estado de consciência Alerta, sonolento ou inconsciente
Queixa de dor Localização e intensidade
Sangramento Presença e origem
Deformidades Suspeita de fraturas
Mobilidade Capacidade de movimentar membros
Trauma craniano Presença de impacto ou sinais neurológicos
Sinais vitais Conforme protocolo institucional

Tabela 3 – Situações que exigem atenção imediata

Situação Conduta prioritária
Perda de consciência Avaliação médica imediata
Trauma craniano Monitorização e investigação conforme protocolo
Suspeita de fratura Imobilizar quando indicado e evitar mobilização desnecessária
Dor intensa Avaliação clínica imediata
Sangramento importante Controle inicial e atendimento imediato
Alteração neurológica Acionamento urgente da equipe médica

Tabela 4 – Registro do evento

Informação Deve constar no registro
Data e horário ✔
Local da ocorrência ✔
Circunstâncias da queda ✔
Atividade realizada pelo paciente ✔
Profissionais presentes ✔
Lesões observadas ✔
Condutas adotadas ✔
Comunicação aos familiares (quando aplicável) ✔

Tabela 5 – Investigação das causas

Aspecto analisado Exemplos
Fatores do paciente Tontura, hipotensão, alteração cognitiva
Fatores ambientais Piso molhado, iluminação inadequada
Equipamentos Freios destravados, barras danificadas
Processo assistencial Falha na supervisão ou comunicação
Medicamentos Sedação ou hipotensão relacionada ao tratamento

Tabela 6 – Ações corretivas

Situação encontrada Ação recomendada
Piso molhado Corrigir imediatamente e revisar rotina de limpeza
Falha na avaliação de risco Reavaliar todos os pacientes semelhantes
Equipamento inadequado Substituir ou reparar antes de novo uso
Falha de comunicação Reforçar treinamento e passagem de plantão
Não utilização de medidas preventivas Revisar adesão ao protocolo

Tabela 7 – O que NÃO fazer após uma queda

Conduta inadequada Por que deve ser evitada
Levantar o paciente imediatamente Pode agravar lesões ocultas
Minimizar a ocorrência por ausência de dor Algumas lesões manifestam-se tardiamente
Deixar de registrar o evento Compromete a investigação e a rastreabilidade
Não comunicar a equipe responsável Atraso no atendimento
Não revisar o plano preventivo Favorece recorrências

Checklist – Atendimento pós-queda

Item ✔
Ambiente seguro ☐
Avaliação inicial realizada ☐
Equipe responsável acionada ☐
Lesões investigadas ☐
Registro completo realizado ☐
Notificação institucional efetuada ☐
Causas investigadas ☐
Plano preventivo atualizado ☐
Paciente e acompanhante orientados ☐

Aprendizado institucional

Toda queda deve ser analisada como uma oportunidade de melhoria. Independentemente da gravidade, recomenda-se que a instituição:

  • Investigue as causas imediatas e contribuintes.
  • Identifique falhas nos processos assistenciais.
  • Implemente ações corretivas e preventivas.
  • Compartilhe os aprendizados com as equipes.
  • Monitore indicadores para avaliar a efetividade das melhorias implementadas.

Essa abordagem fortalece a cultura de segurança e reduz a probabilidade de recorrência.

Alerta Dental Access: O atendimento ao paciente após uma queda não termina com a avaliação clínica. A investigação das causas, a revisão dos processos e a implementação de melhorias são etapas fundamentais para prevenir novos eventos e promover uma assistência cada vez mais segura.

Resumo do Capítulo: Uma resposta rápida, organizada e baseada em protocolos reduz danos ao paciente e fornece informações essenciais para a melhoria contínua dos processos assistenciais. Além do atendimento clínico, o registro, a investigação e a revisão das medidas preventivas são componentes indispensáveis de um programa eficaz de prevenção de quedas.


Capítulo 11 – Implantação e Monitoramento do Protocolo de Prevenção de Quedas

A prevenção de quedas não depende apenas de boas intenções ou de profissionais comprometidos. Ela exige um protocolo estruturado, implantado de forma sistemática, monitorado continuamente e revisado sempre que necessário.

Instituições que adotam programas formais de prevenção de quedas apresentam resultados consistentemente melhores do que aquelas que dependem apenas de iniciativas individuais ou informais.

Tabela 1 – Componentes essenciais de um protocolo de prevenção de quedas

Componente Descrição Responsável
Avaliação do risco Aplicação de escala validada na admissão e nas reavaliações Enfermagem
Medidas preventivas Intervenções proporcionais ao risco identificado Equipe multiprofissional
Sinalização Identificação padronizada dos pacientes de risco Enfermagem
Orientação Educação de pacientes e acompanhantes Toda a equipe
Registro Documentação das avaliações e condutas Toda a equipe
Notificação Comunicação de eventos adversos Toda a equipe
Investigação Análise das causas após cada queda Gestores e equipe assistencial
Monitoramento Acompanhamento de indicadores Gestores e qualidade
Capacitação Treinamento contínuo da equipe Gestores e educação continuada

Tabela 2 – Etapas para implantação do protocolo

Etapa Ação Resultado esperado
1 Diagnóstico situacional Identificar a realidade atual da instituição
2 Definição da escala de avaliação Padronizar o instrumento utilizado
3 Elaboração do protocolo Documentar as condutas e responsabilidades
4 Capacitação da equipe Garantir conhecimento e adesão
5 Implantação piloto Testar e ajustar o protocolo
6 Implantação ampliada Expandir para todos os setores
7 Monitoramento dos indicadores Avaliar resultados e identificar melhorias
8 Revisão periódica Manter o protocolo atualizado

Tabela 3 – Indicadores de monitoramento

Indicador O que mede Como calcular
Taxa de quedas Frequência de quedas no período Número de quedas ÷ pacientes-dia × 1.000
Taxa de quedas com dano Proporção de quedas que resultaram em lesão Quedas com dano ÷ total de quedas × 100
Taxa de avaliação de risco Adesão à avaliação na admissão Pacientes avaliados ÷ total de admissões × 100
Taxa de reavaliação Frequência de reavaliações realizadas Reavaliações realizadas ÷ reavaliações esperadas × 100
Taxa de notificação Proporção de quedas notificadas Quedas notificadas ÷ total de quedas × 100

Tabela 4 – Fatores que favorecem a adesão ao protocolo

Fator Como contribui
Apoio da liderança Legitima o protocolo e facilita a alocação de recursos
Capacitação contínua Mantém a equipe atualizada e engajada
Feedback dos indicadores Demonstra resultados e motiva melhorias
Integração ao prontuário Facilita o registro e a comunicação
Participação da equipe multiprofissional Amplia a visão sobre os fatores de risco
Envolvimento de pacientes e acompanhantes Aumenta a adesão às medidas preventivas

Tabela 5 – Barreiras mais comuns e como superá-las

Barreira Estratégia de superação
Falta de tempo para avaliação Simplificar o instrumento e integrar ao fluxo assistencial
Desconhecimento do protocolo Capacitação periódica e materiais de apoio acessíveis
Baixa adesão da equipe Feedback de indicadores e envolvimento nas decisões
Falta de equipamentos Planejamento de aquisição e manutenção preventiva
Comunicação deficiente entre turnos Estruturar a passagem de plantão com item específico para risco de queda
Subnotificação de eventos Cultura de segurança sem punição e incentivo à notificação

Fluxograma – Ciclo de melhoria contínua

Implantação do protocolo
        │
        ▼
Monitoramento dos indicadores
        │
        ▼
Identificação de falhas
        │
        ▼
Análise das causas
        │
        ▼
Implementação de melhorias
        │
        ▼
Reavaliação dos resultados
        │
        ▼
Revisão do protocolo
        │
        ▼
(reinicia o ciclo)

Tabela 6 – Responsabilidades por nível hierárquico

Nível Responsabilidades
Alta direção Aprovar o protocolo, garantir recursos e promover a cultura de segurança
Gestores assistenciais Supervisionar a implantação, monitorar indicadores e apoiar a equipe
Enfermeiros Avaliar o risco, planejar cuidados e orientar a equipe
Técnicos e auxiliares Executar medidas preventivas e comunicar alterações
Médicos Revisar medicamentos e condições clínicas de risco
Fisioterapeutas Avaliar mobilidade e indicar dispositivos auxiliares
Farmacêuticos Identificar medicamentos associados ao risco
Equipe de qualidade Monitorar indicadores e apoiar investigações

Checklist – Implantação do protocolo

Item ✔
Diagnóstico situacional realizado ☐
Escala de avaliação definida ☐
Protocolo elaborado e aprovado ☐
Equipe capacitada ☐
Materiais de sinalização disponíveis ☐
Indicadores definidos ☐
Sistema de notificação implantado ☐
Monitoramento iniciado ☐
Revisão periódica agendada ☐
Alerta Dental Access: Um protocolo bem elaborado, mas pouco utilizado, não protege o paciente. A efetividade do programa de prevenção de quedas depende da adesão consistente de toda a equipe, do monitoramento contínuo dos resultados e da disposição institucional para aprender com os erros e implementar melhorias.

Resumo do Capítulo: A implantação de um protocolo formal de prevenção de quedas é o passo mais importante para transformar boas práticas individuais em uma cultura institucional de segurança. O monitoramento contínuo dos indicadores, a capacitação da equipe e o compromisso da liderança são os pilares que sustentam programas eficazes e duradouros.


Conclusão

A prevenção de quedas em ambiente hospitalar é uma responsabilidade compartilhada. Não existe uma única medida capaz de eliminar completamente esse risco, mas a combinação de avaliação sistemática, medidas preventivas proporcionais, ambiente adequado, equipamentos corretos, comunicação eficaz e participação ativa de pacientes e acompanhantes reduz significativamente a ocorrência de eventos adversos.

Ao longo deste guia, percorremos os principais aspectos envolvidos na prevenção de quedas: desde a compreensão de como os acidentes acontecem na prática até a implantação e o monitoramento de protocolos institucionais. Cada capítulo foi desenvolvido para oferecer orientações práticas, tabelas operacionais e checklists que possam ser utilizados no cotidiano assistencial.

A segurança do paciente não é um destino, mas um processo contínuo de melhoria. Profissionais capacitados, gestores comprometidos, pacientes informados e acompanhantes orientados formam a base de uma cultura hospitalar verdadeiramente segura.

Alerta Dental Access: Prevenir quedas é prevenir sofrimento. Cada queda evitada representa uma lesão a menos, uma internação mais curta, uma recuperação mais rápida e uma experiência mais digna para o paciente e sua família.


Capítulo 12 – Perguntas Frequentes sobre Prevenção de Quedas

Esta seção reúne as dúvidas mais comuns de profissionais de saúde, gestores, pacientes e acompanhantes sobre a prevenção de quedas em ambiente hospitalar.


Para profissionais de saúde e gestores

Com que frequência o risco de queda deve ser avaliado?
Na admissão e sempre que houver mudança clínica relevante, como cirurgia, introdução de medicamentos de risco, alteração da mobilidade ou episódio de queda.

Qual escala de avaliação devo utilizar?
A escala deve ser definida pelo protocolo institucional. As mais utilizadas em adultos são a Morse Fall Scale e a Johns Hopkins. Para pediatria, a Humpty Dumpty é amplamente adotada.

O uso de grades laterais é obrigatório para todos os pacientes?
Não. As grades devem ser utilizadas conforme indicação clínica, avaliadas individualmente. O uso indiscriminado pode ser considerado contenção física e exige critérios específicos.

Como agir quando o paciente recusa as medidas preventivas?
Orientar novamente, registrar a recusa no prontuário, comunicar a equipe e envolver o acompanhante quando possível. Nunca impor medidas sem avaliação ética e clínica adequada.

O que fazer quando não há acompanhante disponível?
Intensificar a supervisão da equipe, priorizar o atendimento às solicitações do paciente e adotar medidas ambientais que reduzam a necessidade de mobilização independente.

Como reduzir a subnotificação de quedas?
Promover uma cultura de segurança sem punição, esclarecer a importância da notificação para a melhoria dos processos e facilitar o acesso ao sistema de registro.

Quem é responsável pela prevenção de quedas?
Toda a equipe multiprofissional, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, farmacêuticos e equipe de apoio, além dos próprios pacientes e acompanhantes.


Para pacientes e acompanhantes

Por que preciso usar pulseira de identificação de risco?
A pulseira alerta toda a equipe sobre a necessidade de cuidados adicionais, garantindo que qualquer profissional que entre em contato com você adote as medidas preventivas adequadas.

Posso levantar sozinho para ir ao banheiro?
Depende da sua condição clínica. Se você foi orientado a solicitar auxílio, utilize a campainha antes de levantar. Essa medida simples reduz significativamente o risco de queda.

Qual calçado devo usar durante a internação?
Prefira calçados fechados com solado antiderrapante. Evite chinelos frouxos, meias comuns em pisos lisos e andar descalço.

O acompanhante pode me ajudar a levantar?
O acompanhante pode oferecer apoio, mas não deve realizar transferências ou mobilizações sem orientação da equipe, especialmente em pacientes com limitações de mobilidade.

O que fazer se sentir tontura ao levantar?
Sente-se imediatamente na beira do leito, segure-se com firmeza e acione a campainha. Não tente caminhar enquanto estiver com tontura.

As grades da cama são obrigatórias?
As grades são utilizadas conforme indicação clínica. Se você tiver dúvidas sobre a necessidade no seu caso, converse com a equipe de enfermagem.

O que fazer se presenciar uma queda?
Não tente levantar o paciente sozinho. Acione imediatamente a campainha ou chame a equipe de enfermagem.


Sobre equipamentos

Posso usar o suporte de soro para me apoiar ao caminhar?
Não. O suporte de soro não foi projetado para suportar o peso do corpo e pode tombar, causando queda e danos ao acesso venoso.

Como saber se preciso de andador ou bengala?
A indicação deve ser feita pela equipe de fisioterapia ou pelo médico responsável, com base na avaliação da sua marcha e equilíbrio.

Com que frequência os equipamentos devem ser inspecionados?
Antes de cada uso e conforme o plano de manutenção preventiva da instituição. Equipamentos com defeito não devem ser utilizados.

Meias antiderrapantes substituem calçados adequados?
As meias antiderrapantes são uma alternativa válida em situações específicas, mas calçados fechados com solado antiderrapante oferecem maior proteção e estabilidade.


Sobre situações específicas

Pacientes que já caíram têm maior risco de cair novamente?
Sim. O histórico de quedas é um dos principais fatores preditivos de novas ocorrências e deve ser considerado na avaliação do risco.

Crianças hospitalizadas precisam de cuidados especiais?
Sim. As quedas em pediatria possuem características próprias e exigem supervisão constante, uso de leitos adequados à faixa etária e orientação detalhada aos responsáveis.

Gestantes e puérperas têm maior risco de queda?
Sim. Alterações fisiológicas como hipotensão, fadiga e dor podem comprometer temporariamente o equilíbrio e a mobilidade, especialmente no pós-parto imediato.

Pacientes com demência precisam de medidas específicas?
Sim. Pacientes com alterações cognitivas frequentemente não reconhecem seus próprios limites e exigem supervisão mais frequente, reorientação verbal e participação ativa da família.

O risco de queda pode mudar durante a internação?
Sim. O risco é dinâmico e pode aumentar ou diminuir conforme a evolução clínica, os medicamentos utilizados e as condições do ambiente.

Alerta Dental Access: As dúvidas sobre prevenção de quedas são comuns e legítimas. Profissionais bem informados tomam decisões mais seguras. Pacientes e acompanhantes orientados participam ativamente da prevenção. A educação continuada é um dos pilares mais eficazes de qualquer programa de segurança do paciente.

Resumo do Capítulo: A prevenção de quedas envolve múltiplos atores e situações distintas. Responder às dúvidas mais frequentes de forma clara e objetiva contribui para a adesão às medidas preventivas, reduz comportamentos de risco e fortalece a cultura de segurança em toda a instituição.


Conclusão

A prevenção de quedas em ambiente hospitalar é uma responsabilidade compartilhada. Não existe uma única medida capaz de eliminar completamente esse risco, mas a combinação de avaliação sistemática, medidas preventivas proporcionais, ambiente adequado, equipamentos corretos, comunicação eficaz e participação ativa de pacientes e acompanhantes reduz significativamente a ocorrência de eventos adversos.

Ao longo deste guia, percorremos os principais aspectos envolvidos na prevenção de quedas: desde a compreensão de como os acidentes acontecem na prática até a implantação e o monitoramento de protocolos institucionais. Cada capítulo foi desenvolvido para oferecer orientações práticas, tabelas operacionais e checklists que possam ser utilizados no cotidiano assistencial.

A segurança do paciente não é um destino, mas um processo contínuo de melhoria. Profissionais capacitados, gestores comprometidos, pacientes informados e acompanhantes orientados formam a base de uma cultura hospitalar verdadeiramente segura.

Alerta Dental Access: Prevenir quedas é prevenir sofrimento. Cada queda evitada representa uma lesão a menos, uma internação mais curta, uma recuperação mais rápida e uma experiência mais digna para o paciente e sua família.

Referências

Este guia foi elaborado com base nas seguintes fontes oficiais e publicações de referência:

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Protocolo de Prevenção de Quedas. Brasília: ANVISA/FIOCRUZ, 2013.
  • Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
  • Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC nº 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde.
  • Joint Commission International. Padrões de Acreditação para Hospitais. 6ª ed. Oakbrook Terrace: JCI, 2017.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). WHO Global Report on Falls Prevention in Older Age. Genebra: WHO, 2007.
  • Morse, J.M. Preventing Patient Falls. 2ª ed. Nova York: Springer, 2009.
  • Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 543/2017. Atualiza e estabelece parâmetros para o dimensionamento do quadro de profissionais de enfermagem.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Falls in older people: assessing risk and prevention. Clinical Guideline CG161. Londres: NICE, 2013.

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